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Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

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A bola da vez

A bola da vez é Jair Bolsonaro, parlamentar bufão que teve a inocência de participar de um programa humorístico de gosto duvidoso comandado por Marcelo Tas, aquele mesmo dos anos 80, que tinha um personagem chamado Ernesto Varela cujo papel era o de ridicularizar celebridades públicas com perguntas insolentes e capciosas. Nisso ele tem crédito, foi o precursor.

Pois bem, nessa armadilha caiu o nobre deputado ao entrar no picadeiro, porque, cá entre nós, se a esperteza foi a de ter holofotes para si, só conseguiu sair com um tiro no pé.

Não é segredo para ninguém sua opinião sobre assuntos polêmicos como homossexualismo e racismo; num rompante de desatino ou vaidade, resolveu responder perguntas selecionadas pela produção de um programa humorístico de apelo popular, caracterizado em ridicularizar personalidades na briga pela audiência. Para sua infelicidade, confundiu-se numa questão com a cantora Preta Gil e acabou fisgado. Deu a munição que os politicamente corretos queriam para sua degola, afinal, hoje em dia, basta você se sentir desconfortável diante de uma cena homossexual e pronto! Já lhe imputam o rótulo de homofóbico, se ousar falar em cotas raciais, transforma-se num adepto do racismo e se tiver a infelicidade de ser simpatizante da direita, será trucidado como nazista. Esse comportamento delirante me lembra a época dos anos de chumbo, onde expressar uma opinião contrária colocava o sujeito no pau de arara, diante da junta inquisidora e fardada. Parece que só a farda saiu de cena.

Bolsonaro não entendeu que sua justificativa para o mau entendimento da questão é irrelevante, assim como irrelevante é o motivo (não o racismo, porque vi e revi o vídeo, acredito mesmo que ele não entendeu a pergunta; sua grosseria foi dirigida à pessoa da Preta Gil, cujo comportamento ele abomina e não à raça negra) e assim tal qual Kadafi, diante do histórico de ambos e relembrando o saudoso Tim ao som da balada “Me dê motivo”, ele está mais para cordeiro em vias de imolação nas mãos dos vingadores sociais do que para o parlamentar polêmico que acredita ser.

O desatinado deputado na tentativa de obter uma saída honrosa dessa atrapalhada em que se meteu, resolveu com seu estandarte ideológico nas mãos atirar contra os homossexuais, uma camada significativa da população que vem ganhando espaço cada vez maior na mídia, onde qualquer manifestação que não abrace sua causa é recebida como hostil, discriminatória e homofóbica.

Ele como homem público que é, deveria ter tido essa percepção e aprendido que nessas horas seus pares é que lhe roubarão o brilho dos holofotes, como um filme que teimosamente se repete, farão de tudo para vê-lo cair do cadafalsto. Nobre deputado, sua sorte está lançada e tem muita gente querendo empalá-lo.
 

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